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Frigidez não é coisa só de mulher. Eu sou frígido. Já cheguei a pensar que minha preguiça de sexo era um problema. Tentei corrigir o que achava errado. Mas hoje considero sensacional meu desinteresse por trepar.
Não por moralismo, é claro. Meu barato é poder causar. Chocar as pessoas com a minha falta de vontade de transar. E sendo homem, torna-se mais divertido ainda. Fica a dúvida se sou viado. Especulam sobre possíveis transtornos psicológicos. Gosto muito de ver meu comportamento se transformar em debate. Pode ser em mesa de boteco, não tem problema.
Achei que minha frigidez era falta de vigor físico. Até 7 meses atrás, eu estava com 111 quilos. Agora estou com 79. É um peso próximo do ideal para um cara com a minha compleição física - 1,78 metro e ossatura larga e pesada. Estou com um bom condicionamento. Faço duas horas de exercícios por dia - de segunda a sexta -, divididos em esteira, bicicleta ergométrica e musculação.
Só que minha vontade de transar não aumentou em nada. Continuo a achar sexo uma chatice. Fazer esteira também é. Mas eu não preciso esfregar, abraçar, penetrar e chupar a esteira.
Fiz o teste. Fui para cama com uma mulher do tipo que mais me agrada. A descrição: longilínea, em torno de 1,70 metro e que estava vestida como aprecio - calça jeans preta justa, camiseta regata feminina branca, também justa, e sapatos pretos de salto e bico fino. O perfume era Allure, da Chanel. Nem assim me excitei. Eu pilava e ficava entediado. Torcia para acabar logo. Ela se esforçou. Tentou me fazer gozar. Só que não conseguiu. Nunca ejaculei trepando. Estou fora de sexo oral. Prefiro enfiar minha língua num sorvete de chocolate belga da Häagen-Dazs. E receber chupadas também não me agrada. É anti-higiênico.
Aquela mulher vestida me dava tesão. Mas, nua, gemendo e se roçando comigo, perdia a graça. Toda mulher nua me brocha. Eu só ejaculo com masturbação. Mas sempre penso nas mulheres trajadas. No máximo, descalças, porque gosto de pés femininos. Mas nada de lamber. Sou apenas um voyeur de pés.
Penso que eu só teria vontade de transar se tivesse elementos transgressores. Tipo com mulher comprometida. Uma rapidinha, com ela encostada em uma parede. Ou com uma pessoa que me odiasse. No romance Malu de Bicicleta, de Marcelo Rubens Paiva, o protagonista, Luiz, tem um caso de ódio e sexo com uma professora dele. Ela o acha um aluno petulante. Ele também não ia com a cara dela. Mas, se encontravam no quarto dele no CRUSP - conjunto habitacional, dentro da USP da Capital, para alunos da universidade - e se comiam. Sem falar nada. Não sei se isso é possível na realidade. Só que me estimularia.
Não gosto de fazer sexo, mas não tenho problema em falar do assunto. Pelo contrário. É diferente de animais de estimação e crianças, que me enchem o saco de todo jeito. Até porque, como trepar é algo bissexto para mim, preciso ouvir os relatos dos outros para ficar por dentro.
Sou antitátil. Claro que não se refere a aperto de mão ou beijo de cumprimento. É contato corporal prolongado, como sexo, que me chateia. Estou em boa forma. Meu rosto é bonito. Só que sou apenas para ser visto, ouvido e lido. Já mandei fazer uma placa "FAVOR NÃO TOCAR" para eu pendurar no pescoço quando sair de casa.
MANOCULTURA E PERIFERISMO
Pobre, preto e favelado não é retratado na televisão e demais obras artísticas realizadas no Brasil. Balela. Há uma hegemonia do populacho no audiovisual e na literatura feita por brasileiros.
Nas telenovelas sempre há um casal formado por um pé-rapado e um rico. E o pobre é o herói. O pobre é íntegro. O rico não presta. Existe um programa chamado Central da Periferia. Quer mostrar que o que vem das áreas carentes é mais legal do que o vem do centro. Na programação esportiva também sempre aparece a história de um atleta que veio do nada e se tornou vencedor. As séries que ganham melhor tratamento estético e dramático das emissoras são aquelas de favela – Cidade dos Homens e Antonia – ou de sertão – A Pedra do Reino.
Os cineastas brasileiros venerados são os que filmam pobre. Vai de Walter Salles com Central do Brasil a Dois Filhos de Francisco, que conta a trajetória de uma dupla de cantores caipiras.
Na literatura se destacam os manos. Tem o Ferréz, do Capão Redondo, um dos bairros mais violentos da periferia sul de São Paulo. Ferréz fala e escreve errado. Mas dizem que ele pode, porque veio do povão. Mas há também os encantados com universo das favelas. Caso de Patricia Melo e Fernando Bonassi. Patricia Melo é autora de O Matador, que foi transformado em filme com o nome de O Homem do Ano.
O fetiche pela ralé é justificado com o seguinte argumento: é o retrato do Brasil. Então eu moro em outro país. E ainda não me dei conta disso.
Onde eu vivo tem favela, é claro. Só que tem umas coisas estranhas. Tipo gente de classes média e alta. Trata-se de um pessoal que vive em edifícios ajeitados e novos. Outros residem em condomínios fechados. Mais ainda: pessoas que ocupam cargos executivos em empresas grandes. Ou profissionais liberais de nível médio e alto.
Outra bizarrice: compram livros, cd’s e dvd’s em megastores de shopping center. Adquirem produtos de marca. Mesmo que seja em dez vezes no cartão de crédito. Mesmo que entrem no cheque especial. Comem no America e tomam café na Starbucks. Se você não conhece a Starbucks, azar seu, provinciano. Vá ler livros ou ver filmes ambientados nas principais cidades do mundo.
Eu não tenho apreço pela cultura dos manos. Assim como não gosto de africanismo, latinismo e caipirismo. Tudo bem que isso exista. O problema é que o ideal politicamente correto quer impor divinização disso. Os selos “africano”, “indígena”, “interior” e “periferia” se tornaram atestados de qualidade inquestionável.
Quem diz que acha tudo isso uma porcaria é tachado de preconceituoso. Ou de elitista. Preconceito não é crime. E eu sou um legalista.
Outra coisa: há também preconceito do lado dos manos. Eles rotulam a classe média de fútil. De gente que só pensa em consumir. Besteira. A empregadinha que pega quatro conduções por dia tem o mesmo desejo de consumo da empresária ou executiva que anda de Mercedes Classe A ou de Toyota Corolla. A garota da favela também gostaria de entrar em um shopping – nem precisa ser o Iguatemi de São Paulo ou, agora, o Cidade Jardim – e sair cheia de sacolas com sapatos, bolsas e roupas. A pobre só não pode.
E quem ganha dinheiro dentro da lei que gaste como quiser. Não há superioridade moral do periférico sobre o central. O populacho também é malvado. Até parece que ninguém bate na mãe ou comete abuso sexual na favela. Até parece que uma comunidade pobre não é capaz de linchamentos.
Pior ainda é achar que o por ser socialmente sofrida a vida da patuléia é mais interessante. Existem conflitos – de vários tipos – em gente de classe média e rica do Brasil que rendem filmes de ficção, documentários, seriados e livros.
O mano de calça larga e boné está altamente retratado. E esse estilo também invadiu os caras de classes mais alta. Eu, branquelo de olhos azuis, que usa camisa, calça mais justa e sapato de bico quadrado é que não me vejo na televisão, no cinema e na literatura feita no Brasil.
Leio os livros passados em Nova York e Londres, para ter contato com personagens que têm a ver com o meu contexto. No dia que um tipo como Ferréz escrever um livro como Os Filhos do Imperador, de Claire Messud, uma história de nova-iorquinos, eu leio. Estou mais para o Diabo Veste Prada do que para Capão Pecado, um dos livros de Ferréz. Quero ler histórias de gente que toma banho e usa roupa limpa e passada. Os escritores que se propõem a falar de classe média no Brasil, na maior parte das vezes, adotam como protagonistas gente sem asseio, que transformam suas casas em lugares sujos.
Ainda bem que existem as séries americanas House, Nip/Tuck, Without a Trace e The Closer. Ainda bem que posso ler Philip Roth e Ian McEwan. Sem eles, eu não suportaria esse monte de mano.
PÊLOS, PEGADORAS E ROMÂNTICAS
Resolvi me depilar. Parcialmente. Não, não usei cera quente. Passei máquina nas axilas, peito, barriga e púbis. Gostei. Faz tempo que queria me livrar de certos pêlos. É bem mais higiênico estar depilado. Fiz isso apenas agora porque só agora achei um método prático e indolor.
Só que a questão mais interessante tem a ver com a relação entre pêlos nos homens e perfil das mulheres. Notei que as que gostam de pêlos são mais mulherzinhas. Sim, as românticas preferem os ursos. As pegadoras, ao contrário, não querem saber dos caras peludos.
As românticas querem pêlo para fazer carinho. Pêlos no peito, especialmente. Fico imaginando como alguém pode querer acariciar pêlos molhados de suor depois da transa. Mas mulheres mulherzinhas têm dessas coisas mesmo. Tem mais: as românticas ainda querem preservar muito da tradição que diz "isso é coisa de mulher" e "isso é coisa de homem". Para elas, pêlos são sinal de masculinidade.
As pegadoras, claro, estão mais interessadas na pegada. Ausência de pêlos melhora a higiene. É que o suor se acumula nos cabelos. Suor, em si, é inodoro. Mas, como libera substâncias orgânicas, favorece a proliferação de bactérias. E são as bactérias que provocam a catinga. O lance é que homem depilado suado tem tudo para feder menos que um peludo. É claro que depilação não elimina a obrigação de desodorante e perfume.
Corpos sem pêlo têm menos atrito. Exemplo: nadadores se depilam. A mulher pode fantasiar que está fazendo sexo com o Michael Phelps. O homem estando depilado pode melhorar o desempenho sexual. E as pegadoras não querem saber de acariciar peitos peludos. São mulheres modernas. Não deitam a cabeça no peito do cara depois de transar. Nada disso. Elas levantam e vão ler a Nova ou a Vogue. E liberam os homens para ler jornal ou uma revista masculina, no banheiro.
Claro que me depilei também para agradar as pegadoras. Não tenho vocação para ser romântico. Não gosto de nhenhenhém.
Mais ainda: considero o romantismo nocivo à civilização ocidental. Romantismo produz idealizações. A idealização do ser humano, como a do filósofo francês Rousseau, prega que o homem nasce bom. É, posteriormente, estragado pela sociedade. Tal ideal, a meu ver, inspirou todas as baboseiras politicamente corretas. Ser humano não é bom nem mau. Gente é, ao mesmo tempo, inventiva e sedenta de poder. Não importa se é pobre ou rico. O povão é tão malvado quanto os poderosos.
Não há homens ou grupos de homens redentores. Nada de classe operária. Nem de ciência. Muito menos Deus. Não há salvação. Sei que tem gente que precisa de ilusões e romantismo para suportar a vida. Eu necessito de realidade. Penso que as mazelas pessoais e civilizacionais podem ser amenizadas – se for possível – quando compreendidas e enfrentadas de forma direta e objetiva.
Quero ser comido. Espero que uma mulher me pegue e me devore. Sem conversas preliminares. Sem enrolação. Se for para ser animalesco, que seja.
Parte 1
Os que se acham culturamente sofisticados estão tendo chiliques. Dizem que o mundo está burro. Reclamam que não há mais as grandes narrativas. Lamentam a falta de interesse por idéias e autores clássicos.
Jogam pedra nos sites de relacionamento da Internet. Choram porque o que consideram alta cultura não encanta a Geração MTV – indivíduos altamente visuais, que cresceram e crescem tendo como referência a linguagem dos videoclipes. Falam que arte virou mercado.
É choro de perdedor. Não entenderam que o refinamento deles tornou-se socioculturalmente irrelevante. Ninguém precisa da formação humanista que eles sonham em impor a todos.
A globalização é técnica e tecnológica. A Coréia do Sul tem se dado bem na economia mundial porque seus estudantes são campeões em competições de Matemática. Mais: os cientistas sul-coreanos dominam biotecnologia, nanotecnolgia e robótica. A Índia conta com muitos e ótimos especialistas em softwares. Não consta que entre os fatores de sucesso dos países emergentes de maior destaque esteja a profusão de grandes doutores em Ciências Humanas.
Esse é um dos problemas do Brasil. Tem muito filósofo, sociólogo e antropólogo. E essa gente fica se metendo em coisas técnicas. É o caso da Segurança Pública. O antropólogo Luiz Eduardo Soares foi coordenador de Segurança do Rio de Janeiro. Depois, secretário nacional de Segurança Pública. A conversa é que ele traria uma visão mais humanista do problema. Acabou saindo do governo sem apresentar resultados. E mais: adotava o nepotismo. Empregava, ao mesmo tempo, a esposa do momento e a ex-mulher no gabinete dele. Soares teve mais sucesso como co-autor do livro Elite da Tropa. O livro deu origem ao blockbuster do cinema brasileiro Tropa de Elite.
O Brasil precisa é de geneticistas e físicos. Até os tem. Mas são poucos em relação aos cientistas sociais. E muitos vão trabalhar fora do país, porque no Brasil as condições são desfavoráveis.
Intelectual que presta atualmente é midiático. Não sei se Delfim Netto é bom economista. Não sei se foi excelente ou péssimo ministro nas passagens dele nos governos militares. Sequer concordo com a maior parte do pensamento de Delfim. Mas paro para ouvi-lo falar em programas de rádio e de televisão. Divirto-me bastante com a ironia dos comentários dele.
Intelectual humanista tem de ir para a indústria do entretenimento. Fazer a galera dar risada com análises bem-humoradas. Caso contrário, que fiquem fechados em seus mundos paralelos, as universidades. Conversando entre eles. De um jeito que só eles entendem. Eu não convido um acadêmico para tomar chope ou para jantar.
Não há espaço na cultura contemporânea para hermetismo. As pessoas não têm saco e tempo para o nhenhenhém de filósofos complicados, tipo Kant.
A dinâmica atual é a da agilidade. Para serem estimulantes, os textos devem ser diretos. Concisos. De fácil compreensão. Da pré-escola à pós-graduação, professores precisam usar recursos audiovisuais. A cultura contemporânea é predominantemente visual. Não adianta os acadêmicos conservadores terem seus pitis. Os alunos dormem em aulas totalmente expositivas.
Mais: os tais humanistas têm de relacionar as idéias dos autores clássicos, se for o caso, com o cotidiano das pessoas que vivem hoje. Com a cultura pop hodierna. É mais fácil e viável fazer com que os alunos se envolvam a partir de um livro como Os Simpsons e a Filosofia - que traça um paralelo entre Homer Simpson e Aristóteles, assim como Bart e Nietzsche – do que fazer com que leiam direto os empolgantes Ética a Nicômaco e Para Além do Bem e do Mal.
Até porque os acadêmicos brasileiros estão discutindo se a melhor tradução para o título de livro de Nietzsche seria mesmo Para Além do Bem e do Mal. Há os defensores da versão Para Além “de” Bem e “de” Mal. Como de costume no Brasil, não captam que Nietzsche era um estilista da palavra. Aí gastam tempo e dinheiro das universidades – a maioria públicas – com debates como este.
Os intelectuais humanistas precisam de tratamento. É mais Prozac e menos Platão para eles
BICHOS E CARÊNCIA AFETIVA
Tenho um teste para avaliar o nível de carência de uma mulher. Pergunto se ela tem cachorro ou gato. Se tiver, questiono se o bicho dorme na cama com ela. Uma resposta afirmativa já demonstra que é carente. Só que tem mais. Indago se, além do cão ou do felino, ela também dorme abraçada a um bicho de pelúcia. Se ela me disser que sim, significa que a carência é elevada.
Mas não é só coisa de mulher. Também conheço homens muito ligados a animais. Um desses meus conhecidos até mesmo anda com uma foto da cadela dele no celular. E mostra a imagem para as pessoas.
Pior que não se trata de uma artimanha para pegar mulheres carentes. Tanto ele quanto a mulherada ficam apenas olhando fotos de cachorros e gatos e dizendo "Oh, que lindinho!". Não acontece nada. O cara não é gay. Nem misógino ou assexuado. É que, pelo que observo, um encontro de carentes não resolve o vazio afetivo dos envolvidos. Pelo contrário. Carência com carência resulta em mais carência ainda.
O excessivo apego a bichos revela muito mais que falta de homem ou de mulher. É uma questão de inaptidão para viver no mundo contemporâneo. Gente que sofre de deficiência temporal. Esse retardado não consegue se adaptar às relações descartáveis, fluidas e transitórias que marcam a hodiernidade. Aí se voltam para os cães. Só porque o cachorro é fiel. Cão não trai. Cachorro não é bom nem mau. Cachorro é só um bicho bobão.
Propagam a idéia de que o ser humano não presta. Desculpa esfarrapada. Incompetência social. Não se enquadram na atualidade e colocam a culpa nos outros. Gente é contraditória. É volúvel. É incoerente. É instável. Se não fosse assim, não seria divertido. Cachorro é fácil de conquistar. Quero ver ter competência para se relacionar com humanos, que são seres multifacetados.
O ideal de sociedade lineares e estáveis já era. A segurança de um mundo ordenado pela religião ou pela razão não existe mais. A segurança foi trocada pela liberdade. O que considero excelente.
O indivíduo não precisa mais se fechar em identidades e comportamentos estanques. Pode ser heterossexual em determinado momento. Depois, passa para homossexual. Daí para bi ou pansexual. Volta a ser heterossexual. Aí resolve curtir uma fase assexuada. Está tudo em aberto.
Tem mais. Pode escolher entre namoro ou casamento tradicional e formas mais pós-modernas como relações abertas e casuais. Outra coisa: não há mais espaço para relacionamentos que não privilegiem a individualidade dos parceiros. Os controladores e ciumentos vão terminar mesmo cercados de cães e bichanos.
Outro exemplo: há possibilidade de optar entre diversos produtos culturais. Ninguém mais precisa ficar preso a rótulos de alta cultura e cultura pop. Dá para aproveitar tanto coisa cabeça como de mero entretenimento.
Não sou partidário de que tudo precisa ter raízes. De que tudo tem de ser profundo. Que nada. Há pessoas que servem para passar apenas um noite. Outras funcionam bem para relacionamentos utilitários, como contato profissionais. Tem gente que é boa para um papo e ruim para sexo. E outras é bom que não falem. Apenas façam.
Gente linear é sem graça ou fanática. Gente reta é intolerante. E o fanático pode se tornar violento. Terroristas muçulmanos cometem atentados porque não suportam a liberdade de costumes do Ocidente. Carolas impedem a materialização de direitos civis – eutanásia, união civil de pessoas do mesmo sexo e aborto, por exemplo – porque isso vai acabar com o mundo de Deus. O mundo como eles querem que seja adotado por todos, não apenas pelos adeptos de determinado credo.
Mas existe saída para os que não conseguem lidar com a insegurança, a fragmentação e a volubilidade do mundo atual. Trata-se do suicídio. Não há porto mais seguro para o indivíduo contemporâneo do que o cemitério. E dá para pedir que enterrem o cachorro ou o gato junto.
METROSSEXUAL É TUDO
Senso estético pessoal não é preocupação apenas de mulher. Homem que se liga em moda não é necessariamente viado. Um cara malvestido não se torna mais masculino do que aquele que se ajeita. O mal-amanhado é apenas um sujeito brega, desleixado e ultrapassado. Assim como bodum não é sinal de macheza. É falta de higiene.
Não acho que o homem deve dividir a prateleira ou a bancada de cosméticos com a mulher. Tem de ter uma exclusiva para ele. Mais ainda: com um estoque maior e mais diversificado do que o dela.
Não faz sentido ter pele ressecada com a variedade de cremes hidratantes masculinos à disposição. Um homem contemporâneo não pode passar sem um Clinic for Men. Gel e outros tipos de modeladores capilares também são indispensáveis.
Muito importante também é o cuidado com as partes íntimas. Se eu fosse mulher, jamais transaria com um cara que, ao se despir, revele uma cueca puída. Aquela completamente desbotada. E com marcas de água sanitária, se é que foi lavada algum dia. Pior: quando o sujeito tira a cueca, exala um cheiro de casa de esfirras. Aliás, cueca já era. O termo atual é underwear. O metrossexual vai para o sexo vestindo cueca de grife. Calvin Klein é uma boa escolha. E, claro, usa uma fragrância suave na região e na própria genitália. Também não esquece dos hidratantes e pomadas para prevenir ou eliminar coceiras. Eu considero higiene bem mais excitante que sujeira e mau cheiro.
Essa conversa de que vale o conteúdo e não a forma é papo de gente feia. É idealismo e falta de senso de realidade. Claro que aparência conta. E conta muito. Em todos os setores se fala de design e estilo. Televisão é de alta definição. Comida é decorada. Pessoas, homens em particular, precisam entrar no era HD. Gente bonita e bem-arrumada saem na frente na busca por emprego e parceiros.
Saber se arrumar é um predicado. Denota criatividade. Chega de homem com cabeça de engenheiro. Minha mente é de estilista. Não entendo nada de mecânica de carros. E nem pretendo entender. Só me preocupo em guiar. Nem sequer sou um ás do volante. Considero mais importante saber que um sujeito largo como eu deve usar roupas escuras e com listras horizontais, se for o caso. Isso me faz parecer mais magro. O barato está em saber disfarçar as imperfeições e destacar as partes bonitas. Roupas azuis são as mais indicadas para mim. Chamam ainda mais atenção para os meus olhos azuis.
Um homem de hoje tem de saber que não se usa mais calça com pregas. Nem cinto com fivela dourada. E muito menos sapatos de bicos muito arredondados e também de fivela dourada. É coisa de velho.
Nunca tive como referência bombeiro, policial militar ou soldado. Não gosto de milico. E principalmente das fardas. Boina, então, acho ridículo. E não sei para que serve. Meus modelos sempre foram executivos. Sobretudo, claro, os de ternos bem cortados.
Também faz tempo que deixei de lado super-heróis. Troquei o Homem-Aranha e o Super-Homem pelo Dr. Christian Troy. Troy é um dos protagonistas da série americana Nip/Tuck. No Brasil é chamada de Estética. Trata-se de um cirurgião plástico solteirão e metrossexual. Usa roupas de grife e faz limpeza de pele, peeling e clareamento nos dentes. Passa gel e cuida dos cabelos. Só tem mau gosto em algumas camisas. Mais importante: Christian Troy pega várias mulheres. Várias lindas mulheres.
Não quero ser apenas uma mente privilegiada. Quero também ser reconhecido pelo meu rostinho bonito e senso estético.
O VIRTUOSISMO JÁ ERA
Parte 1 - Conservadores
O mundo ocidental continua infestado de moralistas. O moralista conservador se arroga protetor da humanidade. E o moralista progressista – até parece que é progressista – posa de reparador das mazelas dos habitantes do planeta.
Ambos são obscurantistas. Os dois têm pavor de uma sociedade livre. Livre não apenas nos âmbitos econômico e político, mas também liberal nos costumes. Querem patrulhar e controlar a vida sexual, os prazeres o vocabulário, a alimentação, o lazer e as manifestações artísticas e do pensamento dos indivíduos.
O moralista conservador tem fixação em sexo. Considera que a humanidade estará perdida e destruída só porque as pessoas resolvem obter prazer carnal. Os mais histéricos, como o pastor eletrônico Pat Robertson, chegam a dizer que catástrofes naturais são as punições de Deus para a permissividade sexual. Segundo Robertson, o furacão Katrina, que arrasou a cidade americana de Nova Orleans em 2005, foi uma sanção imposta pelo Todo-Poderoso em virtude do sexo casual e extraconjugal, do aborto e do homossexualismo nos Estados Unidos.
H.L. Mencken, ferino jornalista norte-americano que se destacou na primeira metade do século 20, escreveu que se alguém lhe mostrasse um puritano, ele revelaria um filho da puta. É o que se verifica nos recentes escândalos sexuais envolvendo políticos nos Estados Unidos. O ex-governador de Nova York Eliot Spitzer renunciou após ser descoberto como putanheiro. Mas a falta de clima para ele continuar no cargo não se deveu à fornicação. Spitzer foi pego pela hipocrisia. Sempre se apresentou como guardião da lei, da ordem e da moral – moral conservadora. Era implacável com a prostituição. Em 2004, como procurador-geral, desbaratou uma rede de entretenimento carnal. E já governador sancionou uma lei que elevou de três meses para um ano de prisão a pena para homens que contratam prostitutas. Detalhe: Há ainda suspeitas sobre a origem do dinheiro e os meios utilizados pelo ex-governador no pagamento das farras.
Spitzer então tem de ir para a cadeia, de acordo com a lei que ele próprio assinou. Mas é um absurdo mandar uma sujeito para a cela porque ele procurou prostitutas. Ainda mais nos dias de hoje. Garota de programa é o equivalente a um personal trainer. Só muda a forma de exercício. Sendo que o proposto pela puta é mais prazeroso.
Dane-se a vida sexual dos políticos. Vale como diversão. Rende matérias em publicações de fofocas de celebridades. Só que não serve como critério de avaliação de competência administrativa. E muito menos como distinção de bondade ou maldade.
Adolf Hitler era vegetariano. Não bebia. Nada de cigarro e outras drogas. Nunca traiu a mulher. Fez o que fez. Winston Churchill era glutão, beberrão e dorminhoco. Enxugava pelo menos meia garrafa de uísque toda noite. Dormia até meio-dia. Mais: consumiu ópio. Churchill passou para a história como um líder que resistiu ao nazismo. E como uma figura decisiva para a derrota do regime de Hitler. Franklin Delano Roosevelt tinha duas amantes conhecidas. Possivelmente havia outras. Fumava sem parar. E também enchia a cara. É considerado por muitos historiadores e analistas como o maior estadista norte-americano. Foi o único presidente eleito quatro vezes. Mesmo sendo bastante discutível, notabilizou-se por ter recuperado a economia americana e mundial depois da crise de 1929. Claro que o papel de Roosevelt é superestimado. Mas quero saber quem vai preferir o certinho Adolf.
As bimbadas e vícios das pessoas não têm nada que ver com eficácia e escrúpulos. Eu estou com Mencken. Desconfio de quem apregoa a retidão moral. De quem se diz imune a tentações. Se não for hipócrita ou canalha, é, no mínimo, um chato.
A ERA DAS TITIAS
Acabou aquela história de dizer que as mulheres solteiras e sem filhos ficam "pra titia". Muitas mulheres, atualmente, escolhem ser titia. Mesmo sendo casadas, optam em não procriar. Contentam-se em brincar e adular as crianças dos irmãos, primos e amigos. Mas não querem saber de gestação e obrigações advindas da maternidade.
É totalmente compreensível e legítimo considerar ser mãe um fardo. Não é nada bonito, muito menos abençoado, passar pelas dores e incômodos do barrigão, do parto – se for o caso - e da amamentação. O mundo ocidental hodierno se notabiliza pela diminuição e eliminação das dores, e não pelo incremento delas.
Portanto, nada mais normal do que querer se poupar de pés inchados e dificuldades de locomoção. Assim como não desejar ter os seios mordidos por um bebê. Não faz mais sentido "ter de passar por um sacrifício" se o indivíduo não estiver realmente disposto.
E muitas mulheres colocam a carreira em primeiro lugar. Não podem e não querem se dar ao luxo de parar de trabalhar por quatro ou mais meses. A competição no mercado de trabalho é extremamente acirrada. O tempo fora das atividades provavelmente custará dinheiro – ainda mais hoje que muitas pessoas ganham por resultados, produtividade, além de sem vínculo empregatício e acesso a benefícios -, atualizações, contatos e promoções. Titia ascende profissionalmente. Mamãe fica na mesma ou regride.
Outra coisa: o hedonismo está em alta. Ainda bem. E filhos atrapalham o gozo de certos prazeres. Muita gente quer ter as noites e madrugadas livres para baladas, jantares, bebedeiras, orgias e tudo mais. Ou até, simplesmente, para dormir. Não vão trocar o divertimento, o ócio ou o puro descanso por choros, fraldas e mamadas. Titia pode curtir enquanto mamãe está na labuta doméstica com seus rebentos. Mamãe vai ao hospital levar o filho que está febril. Titia vai aonde bem entender.
Titia tem mais tempo e, possivelmente, mais dinheiro disponível para se arrumar. Em vez de passear com a criança no parque, uma ida ao salão para fazer cabelo, mãos e pés. No lugar do enxoval do bebê, novas roupas, sapatos e bolsas. Ao invés de contratar um plano de saúde para a prole, cirurgias plásticas, implantes de silicone nos peitos e peelings. Titia gasta grana com ela mesma. Mamãe, se tiver, gasta com os pequenos. Resultado: titia fica mais bonita e gostosa que mamãe.
A época atual é, felizmente, de predomínio dos desejos individuais sobre o coletivo. Ninguém mais precisa ser pai ou mãe para agradar à família ou à sociedade. O compromisso com a satisfação pessoal está à frente de qualquer obrigação com algo abstrato conhecido como humanidade.
SEXO PURITANO É ANIMAL
Sexo não deve ser apenas desvinculado de amor. Sexo também não tem mais nada que ver com moral. Trata-se de uma das teses que tirei da leitura de A Sociedade Pós-Moralista – O crepúsculo do dever e a ética indolor dos novos tempos democráticos, do filósofo francês contemporâneo Gilles Lipovetsky. E olha que é difícil encontrar um filósofo francês da segunda metade do século 20 para cá que preste.
A moralidade nos tempos atuais está ligada a causar dor e sofrimento a outrem. Portanto, sexo feito mediante acordo entre pessoas, seja lá qual for a quantidade e a finalidade dos envolvidos, está excluído das questões morais. Estupro e pedofilia são casos extremos. O estuprador alcança mais prazer com o pavor da vítima do que com a cópula mesmo. E séculos de hegemonia "da moral e dos bons costumes" não contiveram as perversões. Exemplo fácil: os padres pedófilos.
Vão questionar sobre a dor e o sofrimentos causados pelo descobrimento de uma traição sexual. Mas a questão não está no sexo em si. Quem pula a cerca quebra um compromisso de exclusividade. Essa que é a sacanagem. E não a troca de fluidos corporais com outro indivíduo. Basta superar esse modelo ultrapassado de pacto de fidelidade sexual que o lance de traição – ou imoralidade – entre casais será colocado em seu devido lugar. A saber: golpes, roubo de dinheiro e afins. E o mais importante: o suposto traidor pode obter grandes benefícios extáticos. O hedonismo deve prevalecer sobre convenções que não fazem mais sentido no pós-moralismo.
Os conservadores nos costumes chamam o sexo grupal ou somente por prazer de "animal". Mas sexo de bicho é o proposto pelos puritanos. São os animais que copulam apenas para fins reprodutivos de suas espécies. Coito só para procriação é o que defendem os carolas, não é mesmo?
O sexo por prazer e de várias formas é o que carrega mais humanidade. É fruto de imaginação e criatividade. Só alguns primatas – como os bonobos – também transam exclusivamente pelo gozo. Eu nunca soube de ménage à trois entre elefantes. Azar deles. Se fossem como nós humanos, saberiam explorar o eventual potencial erógeno das trombas. Também quero saber se há suruba envolvendo galos e galinhas. É gente que pode escolher qual tipo de sexo deseja praticar. E que dispõe da faculdade de selecionar a opções um, dois, três, quatro ou mais parceiros. Existe até o sexo individual, a masturbação. As baleias contam com tal prerrogativa?
O que as pessoas fazem com seus corpos quando estão peladas ou seminuas não guarda relação com o bem e o mal. Havendo consentimento de todas as partes envolvidas, e sem crianças no meio, todo tipo de relação sexual entre humanos é válida. E não é da conta dos outros.
MAIS FERRO NOS AMOROSOS
Na minha jactanciosa opinião, os que se derretem pelo amor são uns tolos antiquados.
Eu vivo a minha Filosofia do Pecado, baseada na gula, na luxúria, no orgulho e na preguiça. Ira eu não tenho. Eu me divirto em vez de ficar puto com a patetice humana. Cobiça eu até tenho, mas não tenho talento pra conquistar dinheiro e poder. E sou egocêntrico demais pra ter inveja de alguém.
Sou, sim, hedonista. Como o que me dá prazer, não o que é saudável. E só quero saber de sexo casual. Casar, formar família - acho criança um saco, não quero saber de fraldas, mamadeiras e carregar carrinhos de bebê -, tudo isso me aborrece. Faço, orgulhosamente, parte da categoria entretenimento. Não quero saber de dividir a vida com ninguém. Quero explorar corpos e me divertir. Dormir - no sentido literal - sozinho é a coisa mais agradável que eu conheço. O resto - companheirismo, amizade e tudo mais - eu supro com meus colegas e amigos em botecos e restaurantes.
E egoísmo e egocentrismo não são negativos para mim, como é para a maioria das pessoas. Quer dizer, é príoprio do ser humano ser egoísta. Acontece que uns disfarçam, em nome das aparências. Eu, Marcelo Amaral, venho antes de tudo. É o meu interesse primeiro. Sem dúvida nenhuma.
Preguiça é tudo. Se eu puder passar o resto da minha vida sem trabalhar, passarei sem nenhuma culpa. Guardo a minha força para o sexo casual.
O AMOR É PARA OS MEDÍOCRES
O romantismo é uma doença da civilização ocidental. O tipo mais perigoso desta patologia se chama amor-romântico. Provoca idealizações da parte do amante e do amado. Suprime liberdade e independência. Enclausura o sujeito em compromissos e obrigações de fidelidade – sobretudo a fidelidade sexual.
O amor é para os comuns. Os indivíduos extra-série contraem apenas a modalidade benigna do amor, o amor-próprio. Os excepcionais – muito bonitos, muito sensuais, muito inteligentes e muito sedutores - se bastam. Não precisam recorrer a tradições e convenções como namoro, noivado e casamento.
Tenho uma amiga, a Melissa, uma gostosa, que só namora caras feios. O disformes, de acordo com a Melissa, são melhores companheiros, pois não têm muito mais a oferecer. Os não-bonitos ou não-inteligentes necessitam de venerar uma mulher. A Melissa, inteligentemente, se aproveita disso. Mas, quando ela quer apenas ficar, escolhe um galã.
Os medianos se agarram a relacionamentos sérios por uma questão de defesa. É que os triviais sabem que suas chances de arrumar parceiros são reduzidas. Para alguns, quase nulas. Portanto, quando encontram um, querem logo prendê-lo.
Este é um dos motivos dos casais andarem de mãos dadas. Não tem nada que ver com demonstração de carinho e afeto. Nem mesmo de união. É receio que o outro, ao encontrar alguém mais interessante, fuja.
Dormir abraçado é a mesma coisa. Só o pavor de que o parceiro saia correndo da cama justifica querer dormir grudado com outra pessoa. Ainda mais no calor.
Os especiais não têm este tipo de paúra. Os humanos acima da média sabem que no dia seguinte será fácil para eles conquistar novos acompanhantes. Só precisam encostar na mulher ou no homem no momento do sexo. Transam e depois voltam para suas camas individuais para dormirem confortavelmente, bem esparramados. Com total liberdade de movimentos.
Sim, o indivíduo extra-série é promíscuo. E com muito orgulho. Até porque o sujeito realmente extraordinário pratica a promiscuidade seletiva. Sabe escolher bem o parceiro. E quem quer pegar todas ou todos, tudo bem, também merece crédito.
A liberdade sexual é muito mal exercida. Ainda há muito moralismo e caretice. Pior ainda com a exacerbação religiosa observada em várias partes do planeta. Faz-se necessário perder a vergonha de assumir a luxúria.
Mulheres, entreguem-se abertamente à lascívia. Tudo bem que alguns ainda as rotularão de galinhas. Mas isso é coisa de gente antiquada. Logo, logo estarão falando sozinhas. Serão motivo de chacota. Saiam do armário e mostrem, de peito aberto, a preferência por relações casuais.
Quem é acima da média não se importa com o que os outros falam. Quem dá ouvido às pressões familiares e sociais são os ultrapassados e os medíocres. Deixem que vivam no mundo rigorista e enfadonho deles, com seus chás de cozinha, panela e bebê.
UM TAL DE CONSUMIDOR CONSCIENTE
Os politicamente corretos estão a cada dia mais patéticos. Pior ainda quando encarnam o papel de consumidor consciente. Um tipo que se atribui uma superioridade moral em relação aos outros consumidores.
Ele se diz "do bem". Se ficasse só nisso, beleza. Seria apenas risível. O problema é que esse tal de consumidor consciente resolveu, também, arrogar a si uma superioridade intelectual e cultural perante os demais.
O consumidor social e ecologicamente correto se acha mais esperto porque, segundo ele, escolhe de forma pensada quais produtos e serviços adquirir. Considera-se mais informado. E assim acredita que não sucumbe à sedução das estratégias de marketing "do mal".
É um tolinho. Foi fisgado e não sabe. Está à mercê do nhenhenhém politicamente correto. Basta um vendedor aparecer com uma conversa do estilo "se você comprar meu produto vai ajudar a salvar o planeta" ou "vai ajudar comunidades pobres" que o tal consumidor consciente se derrete. Quero ver se confere a efetividade da ajuda.
O consumidor consciente, o inteligente, orgulha-se de pagar mais pelos produtos socialmente responsáveis. Compra um xampu da fabricante norte-americana The Body Shop porque os componentes são oriundos de aldeias africanas. Eu uso xampu mais barato que limpa meus cabelos do mesmo jeito. Sou um trouxa. Cometo a paspalhice de pagar menos por um artigo que tem o mesmo desempenho do mais caro.
Não me interessa um banco usar os rendimentos obtidos a partir do meu dinheiro para plantar árvores. Pelo contrário. Eu me sinto lesado. Não quero saber de plantas. Quero que o banco pare de me cobrar taxas exorbitantes. Que cobre menos juros. Que elimine a burocracia. Que coloque mais atendentes de caixa e diminua as filas nas agências. Que tenha ar-condicionado potente em suas instalações.
Tem mais: quem não compra produtos "cidadãos" não é um tapado. Não é um alienado que se rende sem nenhuma resistência e reflexão à publicidade e demais artimanhas de mercadologia. Ocorre que o consumidor politicamente incorreto leva em conta outras variáveis. Pode ser desempenho do produto, custo, status, prazer, afirmação individual ou qualquer outra coisa.
Não se consome apenas por necessidade. Até porque a frivolidade é fundamental para uma vida gostosa. Que vida mais chata a daqueles que compram apenas o essencial para a sobrevivência. Vão viver no meio do mato e não enchem o saco da gente, os hiperconsumidores. Consumir é também uma forma de expor personalidade. Uma maneira de exercer a vontade de poder.
O grupo dos que se dizem consumidores conscientes e responsáveis pode até se tornar numeroso. Mas não será dominante. A supremacia ainda estará com aqueles que, como eu, compram o que acham mais excitante.
PALESTRA
DEJE
DEBOCHE, EGOLATRIA, JACTÂNCIA E ESNOBISMO
DEBOCHE – O prazer da zombaria
EGOLATRIA – Eu sou a medida de tudo
JACTÂNCIA – Modéstia é coisa dos fracos
ESNOBISMO – A satisfação do desprezo
PALESTRANTE: MARCELO AMARAL
Gordo sexy de olhos azuis, dotado de grande empáfia e autoconfiança, mestre do escárnio e do humor corrosivo, verbalmente cruel com a condição patética dos seres humanos
Mais informações:
Marcelo Amaral
site: www.marceloamaral.com.br
blog: http://mcamaral.blog.uol.com.br
e-mail: mcamaral@uol.com.br
e-mail: marcelo@marceloamaral.com.br
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